|
Espaço compreendido entre a Alameda Cardeal Cerejeira, a Rua Castilho, a Rua Marquês de Fronteira e a Avenida Sidónio Pais. Área: 6,2 Hectares Equipamento: Um café, uma esplanada, um anfiteatro e um lago O alto do jardim oferece uma soberba perspectiva que se prolonga pela Avenida da Liberdade, Rossio, Baixa Pombalina e Terreiro do Paço. ESCULTURAS
“MATERNIDADE” (1989)
Escultor: FERNANDO BOTERO Sentada, a mãe não olha o filho que tem no seu colo. Por momentos, o seu olhar desviou-se e contempla um ponto distante no mundo em redor. Mas esse horizonte, que a absorveu, alia-se à consciência do seu corpo no contacto com a criança que segura. A tranquilidade, que repousa sobre as suas mãos, traça um gesto maternal, perene e atento, num contraste com a impetuosidade alegre e inocente da criança. E, se no seu todo se descortina algo de esfíngico que nos remete para a universalidade e intemporalidade da criação e para a essência da fecundidade pré-histórica de uma Vénus de Willendorf, no interior da volumetria voluptuosa da sua carne de bronze, fervilha uma fertilidade ancestral e nutre-se esse elo emocional inquebrável entre mãe e filho. É nesta dialéctica, entre o monumental e o humano, que se inscrevem as esculturas deste autor.
Nascido em Medellin, na Colômbia, cedo, na obra do escultor, se vislumbra uma reflexão plástica sobre a questão da metamorfose dos corpos, sobre a problemática da representação do cânone humano, prosseguindo o conceito que mais tarde viria a afirmar: “Arte é deformação”. Todavia, durante anos, foi apenas no registo pictórico que Botero criou a sua gente generosa, na presença carnal e lauta, na apropriação espacial colmatada pelos seus corpos. O autor concebe as suas primeiras esculturas na primeira metade da década de 60, consubstanciando, finalmente, uma vocação de tridimensionalidade há muito observada nos seus desenhos e pinturas. Associadas frequentemente ao plasticismo das esculturas de Gaston Lachaise, é na sensualidade e no erotismo latentes que Botero radica o impulso estético para os traços formais das suas obras. Com profundo conhecimento da História de Arte, congregando referências pré-colombianas, populares latino-americanas e, ainda com influências europeias que podem provir tanto do renascimento, como do período clássico de Picasso, Fernando Botero tem, nesta sua “Maternidade”, uma das obras mais emblemáticas entre as patentes na exposição “Escultura Monumental”, realizada em 1997, na Praça do Comércio, hoje figura de convite para o caminho que curva no Jardim Amália Rodrigues. (SC) “O SEGREDO” (1961)
Inaugurada em Maio1998 Escultor: ANTÓNIO LAGOA HENRIQUES Fundidor: EDUARDO COSME Canteiro: DOMINGOS PARDAL 1º Prémio de Escultura na “II Exposição de Artes Plásticas” da Fundação Calouste Gulbenkian. Representou Portugal na Exposição Internacional de Escultura, realizada no Museu Rodin, em Paris. Esteve exposta na Avenida da Liberdade, por ocasião da “LIBESC 88” (Bienal Internacional de Escultura e Instalação). Versos de Fernando Pessoa de 12 de Agosto de 1930: Deixa-me ouvir o que não ouço… Não é a brisa ou o arvoredo; É outra coisa intercalada… É qualquer coisa que não posso Ouvir senão em segredo, E que talvez não seja nada… É um grupo escultórico constituído por duas figuras femininas que segredam, realizado no material que o Mestre melhor manuseia – o bronze. O seu autor nunca quis vender a escultura, tendo a intenção de não se desligar dela e desejando passar o resto da vida com aquele monumento especial que, para ele, deve ter sido inesquecível. «Não é uma peça feita por encomenda. Fi-la para mim, foi feita para reproduzir um deslumbramento», «encerra uma grande carga dramática».`
Como todos os segredos, este encera uma história que não se quer revelada. Foi no Alto de Santa Catarina, em Lisboa, que fixou no desenho os traços da amargura de um segredo, numa história de traição. Na altura, o escultor frequentava a Faculdade de Belas Artes do Porto, nas férias vinha à capital, aproveitando o tempo para revisitar os sítios ligados à sua infância e adolescência. Numa dessas deambulações, foi até ao miradouro de Santa Catarina, onde em miúdo costumava ir com o avô. (MS)
|